No mundo dos negócios, a maioria das empresas falha não por falta de planejamento, mas por excesso de confiança em previsões. Nassim Nicholas Taleb, autor de "A Lógica do Cisne Negro", defende que o mercado não é um sistema linear e previsível, mas um ambiente governado por eventos raros e de impacto colossal. Para sobreviver, o gestor não deve tentar prever o futuro, mas sim construir uma estrutura que se beneficie da incerteza.
O conceito central para qualquer estratégia de sucesso é a Antifragilidade. Enquanto o frágil quebra sob estresse e o robusto apenas resiste, o antifrágil melhora com a volatilidade. No ambiente corporativo, isso significa criar processos que aprendem com pequenos erros e evitam a eficiência excessiva, que muitas vezes remove as redundâncias necessárias para a sobrevivência em tempos de crise.
Outro pilar fundamental é a Estratégia Barbell (ou Halter). Taleb sugere evitar o "meio-termo" arriscado. A recomendação é manter cerca de 90% dos recursos em posições hiper-conservadoras, garantindo a proteção contra a ruína total, enquanto os 10% restantes são alocados em apostas de altíssimo risco e retorno exponencial. Se a aposta falhar, a empresa sobrevive; se der certo, o ganho é transformador.
A ética nos negócios também é discutida através do conceito de "Skin in the Game" (Arriscando a Própria Pele). Taleb argumenta que sistemas só são seguros quando os tomadores de decisão sofrem as consequências de seus erros. Em termos práticos, deve-se desconfiar de consultores ou gestores cujos bônus estão garantidos mesmo quando a empresa sangra. O alinhamento real de interesses é a única métrica de confiança válida.
Por fim, a aplicação da Via Negativa sugere que o refinamento de um negócio geralmente vem da subtração, não da adição. Menos reuniões, menos dívidas e menos complexidade costumam ser mais eficazes do que novos softwares ou camadas burocráticas. Ao remover o que torna a empresa frágil, o sucesso torna-se uma consequência natural da resiliência.